terça-feira, 11 de março de 2025

"eu bato o portão sem fazer alarde"...


 

Oi gente!! Esta blogada tem um algo de despedida, algo de coração aberto, algo de desilusão, algo. Pensei, repensei, fui ao banheiro, tomei uns cafés, muita água, e resolvi escrever. Pra bater o portão sem fazer alarde, como diria meu querido professor de Composição e Arranjo online...

Pra essa blogada, tenho que começar explicando umas coisinhas aqui e ali, estabelecer conceitos. Então, o conceito a estabelecer é o de Teologia da Libertação, algo que muita gente torce o nariz sem saber do que se trata. É, muita gente desce o cacete na Teologia da Libertação, sem entender coisa alguma do tema, ou ainda sem querer entender, por comodidade, preguiça ou burrice mesmo. Aliás, é o mesmo pessoalzinho que afirma coisas sobre ameaça comunista, vacina com chip e que reza pra pneu. Vamos refletir um pouco, antes de falar besteira!

A Teologia da Libertação, ou TdL, ao romper com conceitos tradicionais da Igreja e introduzir ideias de igualdade social e direitos humanos, e, modernamente, ampliar o discurso para o feminismo, o ambientalismo e as causas de gênero, a TdL resgata radicalmente a pregação inclusiva de Jesus de Nazaré. Afinal de contas, Jesus se posicionou “ao lado dos excluídos” a fim de conhecer suas necessidades. Uma passada de olhos pelo Evangelho nos mostra que Ele se encontrava com os doentes para curá-los, com os "endemoniados", com os cegos, com os coxos, com os paralíticos, com os aleijados, com as mulheres “sem marido”, ou de fama esquisita para os padrões daquela época, com as crianças, enfim, com todos aqueles que sofriam ou que tinham no corpo as marcas da dor. A finalidade de Jesus ao estar com as pessoas que carregavam na sua história a marca da opressão era de libertá-los de seus sofrimentos.

A América Latina, mergulhada em um ambiente de miséria e exploração, foi o epicentro para o encaminhamento dessa nova teologia. Aliás, não que fosse novidade, afinal as reduções jesuíticas lançaram bases importantes para a formação do pensamento socialista.

Foi nesse continente que perguntas indigestas mexeram com os dogmas de muitos religiosos. A questão fundamental foi constatar que aquela organização social marcada pela pobreza, pelo preconceito, pela destruição ambiental (ou apoio a esta), não estava nos projetos de Deus e que a Igreja mostrava-se inerte e, muitas vezes, colaborava com a realidade injusta presente no cotidiano dos latino-americanos.

Eduardo Galeano, em seu célebre livro “As Veias Abertas da América Latina”, descreve a paisagem perversa dos diferentes países e resume a história desse continente. Mortes, violência, etnocídio, um processo de sucessivas pilhagens por parte dos projetos imperialistas das nações poderosas. E essa pilhagem, via de regra, com apoio das elites locais. E tome pinochetazo, Operação Condor, “Redentora” e por aí vai. E desaparecem com o Stuart Angel, o Tenório Júnior e o Rubens Paiva...

A TdL é considerada como um movimento acima de conceitos de denominação, partidos políticos e, acima de tudo, é inclusivista, pois engloba várias correntes de pensamento que interpretam os ensinamentos de Cristo em termos de uma libertação de injustas condições econômicas, políticas ou sociais. Ela foi descrita pelos seus proponentes como uma reinterpretação científica (no sentido que a Antropologia, Sociologia, Economia, etc, são ciências, no sentido literal da palavra) da fé cristã, em vista dos problemas sociais. A maior parte dos teólogos da libertação é fortemente favorável ao Ecumenismo, ao Feminismo, ao Ambientalismo, à luta antirracismo, etc. Aliás, houve, ao menos uma denominação cristã, que deixou órgãos ecumênicos em 2006. A tal denominação decidiu retirar-se de “órgãos ecumênicos com a presença da Igreja Católica e grupos não cristãos”. Sinal de comportamento reacionário e intolerante...

Bom, aí um ser usa o Facebook, em uma de suas trocentas páginas, e solta uma pérola: “desse pessoal da Teologia da Libertação, eu quero distância”. Bom, não preciso dizer que fiquei profundamente irritado. Primeiro, pela demonstração cabal de ignorância do ser, sobre tudo aquilo que falei ali acima. Em segundo lugar, a criatura dava mais uma mostra de ter opiniões bastante retrógradas, uma vez que já o ouvira falando mal dos islamitas. Pessoalmente, vejo que falar mal do islamismo se equipara a utilizar a palavra “comunista” como ofensa. É uma das três religiões abrâmicas monoteístas, logo não é tão diferente assim das outras duas. Com a vantagem aí de que, graças aos muçulmanos, a Europa foi civilizada, aprendeu a usar a Matemática, a Bússola, o Sabonete, o Álcool para limpeza, entre outras coisinhas que só vieram a conhecer por influência da ascensão árabe e moura à Península Ibérica. Falar pejorativamente dos seguidores do Profeta é dar atestado de desconhecimento da História do Mundo.

Mas vamos continuar. O dito ser, ao proferir sua “opinião” sobre a TdL, praticamente me convidou a me afastar definitivamente da denominação religiosa que frequentei desde a infância Bom, se querem “distância desse pessoal da TdL”, então estão puxando a descarga de algo que me manteve encantado com o Cristianismo, o raiz, não esse de aparências, Teologia da Prosperidade e outras picaretagens. O Cristianismo, para mim, tem sentido a partir da Teologia da Libertação e suas vertentes. Esse é o Cristianismo que incentivou os movimentos ambientalistas, feministas, de gênero, de campesinos e campesinas. Afastar “o pessoalzinho da TdL” é tirar o que dá gosto e norte à igreja. Antes disso, afastar-se do diálogo ecumênico e inter-religioso demonstram uma fragilidade ímpar. Ora, a incapacidade de dialogar com o diferente, de encarar a diversidade de credos, demonstram o quanto os princípios ético-religiosos dessas pessoas é frágil. Afastar-se do diálogo, sair do play emburrado, é um ato de sectarismo dos mais traumáticos, nunca uma afirmação de fé. Ao contrário...

Aí sim, por todas essas razões, me considero expulso, excluído e convidado a me retirar. Tchau, gente! Foi legal.

 


quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Pealo de Sangue: considerações sobre o autor e a canção

0. Preâmbulo

O texto abaixo foi publicado na versão 1.0 do blogue. Estou republicando-o e dei uma que outra atualizada...Originalmente, foi utilizado como parte de uma atividade do curso de Música no IPA, na disciplina de Regência Coral da professora (e baita cantora) Jaqueline Barreto.

 

1. O autor
Raul Moura Ellwanger nasceu em Porto Alegre, em 17/11/47. Foi aluno do velho e já falecido Instituto Porto Alegre, onde rolava uma bola redonda como centroavante ao final das aulas, ou, às vezes, ao invés das mesmas, joelhos ralados testemunhando as trombadas e divididas na pequena área, em busca do gol. 
 
Iniciou sua carreira artística em 1966, no circuito universitário de Porto Alegre, que se espelhava no movimento dos festivais do centro do país, aqueles da Record, Excelsior e outras emissoras. Em 1968 era estudante de Direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, e trabalhava como estagiário no escritório de advocacia de Afrânio e Carlos Araújo (aliás, ex-marido da ex-presidenta golpeada e atual chefona-mor do Novo Banco de Desenvolvimento, vulgo Banco dos BRICS). 
 
Desde essa época, Raul era um dos articuladores da tão marcante quanto efêmera Frente Gaúcha da Música Popular. A Frente, só pra situar, abraçava músicos diversos, entre eles o professor Paulo Dorfman e deu irmão César, Sérgio Napp, Cláudio Levitan, Fernando do Ó e outras lendas, como o maestro e, mais tarde, professor universitário, Norberto Baldauf. Pois bem dessa época, veio sua participação no festival da TV Excelsior, no Rio de Janeiro, com a composição O gaúcho, finalista no evento em 1968. Em anos de chumbo, a interessante e provocativa letra dedicava à ditadura de plantão: “pros milicos trago estrago, pro inimigo outro balaço...”.

Raul logo identificou-se com grupos que, mais tarde, viriam a formar a Vanguarda Armada Revolucionária. Nesse contexto, participou da reunião em que a VAR se cindiu e houve a criação da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, na qual permaneceu. Em 1969, por suas ligações políticas, o cantor gaúcho não pôde se apresentar no palco do V Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. Naquele evento, Paulinho da Viola conquistou o primeiro lugar com Sinal Fechado, uma linda e forte composição do grande músico carioca.

Com o endurecimento do regime, foi condenado pela nefanda Lei de Segurança Nacional por militância em organização proibida, passando à clandestinidade. Mudou-se para o Rio de Janeiro e com a prisão de dirigentes da VAR, parte para o exílio no Chile, em 1970. Ali estudou Sociologia na Universidad Concepción, na cidade de Concepción por um ano, depois se mudando para Santiago do Chile. 
 
Além da ajuda da família, contava com recursos advindos de aulas de violão e de traduções de artigos de sociologia que fazia para a revista da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), onde um de seus amigos mais próximos, Roberto Heinz Metzger, era diretor gráfico. Morava com sua então companheira Eliana (Nana) Chaves (que viria a ser mãe de Santiago Chaves Ellwanger) e a família de Roberto Metzger num pequeno apartamento, quando aconteceu o pinochetazo, ou seja, o golpe de 11/09/73 contra Salvador Allende. 
 
Os moradores do apartamento se dispersaram e ele passou para a Argentina, em 1973. Em Buenos Aires reencontrou Nana e, depois de dois meses, reviu Roberto, a quem ele procurara no Estádio Nacional e que passava pela Argentina rumo à França. Foi a Roberto e seu filho que compôs a belíssima Pequeno Exilado, tema lindo e emocionante, que gravou com Elis Regina. No exílio escreveu diversas canções, além de Pequeno exilado e Te Procuro Lá, esta a partir da letra do saudoso e, na época, também exilado, Ferreira Gullar.

Voltou para o Brasil em 1979, quando lançou seu primeiro disco, Teimoso e Vivo (1979), com a participação de Wagner Tiso, Zé Gomes, Beto Guedes e Jerônimo Jardim. É nesse trabalho que faz a gravação antológica de "Pealo de Sangue", com Nana Chaves dividindo os vocais. O arranjo de Zé Gomes traz uma atmosfera nostálgica, de alguém que amargou o exílio, viveu o tenso momento do golpe chileno e somente voltou ao Brasil ao prescreverem as acusações que o regime militar lhe impingira. Numa época em que Elis Regina se voltava a garimpar composições e compositores do sul, uma cópia da letra de Pealo de Sangue estava em sua inseparável cadernetinha de bolso, junto a outra canção, Moda de Sangue, de Ivaldo Roque e Jerônimo Jardim (sobre Jerônimo, aguardem blogada). Ah, se tivesse dado mais tempo....

Desde seu efetivo retorno ao país, Raul Ellwanger atua ativamente no cenário musical local, brasileiro e internacional, gravando outros discos, trabalhando em parcerias com músicos destacados, organizando eventos musicais, compondo trilhas sonoras para telenovelas, filmes e peças, recebendo vários e merecidos prêmios. Participou do antológico Paralelo 30 com Bebeto Alves, Carlinhos Hartlieb e outros grandes músicos da cena porto-alegrense dos anos 70, Na sua discografia se encontram também discos Raul Ellwanger (1980), Gaudério (1984), Portuñol (1985), Luar (1992), La cuca del hombre (1984), Boa-Maré (2004) e Ouro e Barro (2007). Como compositor de música para a TV criou o tema principal e a trilha sonora original da novela O Meu Pé de Laranja Lima (TV Bandeirantes), e teve músicas incluídas nas telenovelas Sinhá Moça (TV Globo) e Um Homem Muito Especial, Cavalo Amarelo e Pé de Vento, todas da TV Bandeirantes. Para o teatro compôs as trilhas sonoras das peças Em farrapos e Quarto poder, ambas de Delmar Marques.

Já gravaram composições suas intérpretes como Elis Regina, Mercedes Sosa, Renato Borghetti, Beth Carvalho, Paulinho Tapajós, Cenair Maicá, além da dupla Pena Branca e Xavantinho. Recebeu o Prêmio Selection Radio France International em 1992, e o Prêmio Açorianos da Prefeitura de Porto Alegre. Participou de eventos como a Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana (Canto da Roda) e do Musicanto de Santa Rosa (Quero te ver, liberdade). Entre suas canções mais conhecidas está, justamente, Pealo de sangue, com 30 gravações em cinco países e quatro idiomas. Pealo de sangue foi apontada, em votação pública organizada pela RBS, como uma das dez melhores músicas da história do estado.

2. A obra
Sobre Pealo de Sangue, que foi primeiramente gravada no álbum Teimoso e vivo, há muito o que contar. Na gravação original, Pealo conta com arranjos do maestro Zé Gomes e é interpretada por Raul e por Nana Chaves. O instrumental com harmônica, violão de doze cordas e grupo de cordas (violino, viola, cello) é de uma riqueza única, dando ao apresentar timbres diferentes um entrosamento com as vozes límpidas que interpretam o tema. O arranjo traz ainda uma interessante flutuação de tom que o grande Zé Gomes apresenta no disco, que dá um impressionante efeito de crescendo à canção.

A mesma música reapareceu em vários discos, regravada pelo próprio Raul por duas vezes, uma com participação de Mercedes Sosa. Raul lembra que a música ficou muito conhecida “a partir de uma publicidade que teve de fim de ano, que foi muito bacana”. Mesmo sem ter uma característica comercial, a canção, “a partir daí, ganhou autonomia” e conquistou corações. É, sem dúvida, a música mais esperada nos shows de Raul. Lançada pouco depois da volta do exílio, Pealo de Sangue parece expressar as dúvidas carregadas pelo compositor e por sua geração: “que mistérios trago no peito? Que tristezas guardo comigo?”,
e que, cá pra nós, diante de nosso atual quadro, ainda se fazem presentes no ar...

Na letra, Raul revela a importância das raízes das quais ele teve que se separar por uma década, muito além de sua ancestralidade germânica e ligada à terra: “se meu canto é colono, é gaúcho/ lá no campo é que encontro abrigo”. Na letra da canção pode-se, ainda, ler o desejo de alcançar coisas bucólicas, que se perdiam e se perderam no horizonte: “quero só um pedaço de terra/ um ranchinho de Santa Fé/ milho verde, feijão, laranjeira/ lambari cutucando no pé/ noite alta um luzeiro alumian­do/ um gaúcho sonhando de pé”.

Chama a atenção o uso do “só”. Certamente a partícula é indicativa de que o que estava sendo buscado era “apenas” o que era considerado “de direito”, sem luxos, sem mordomias, a simplicidade ellwangeriana. A perspectiva da luta e a dimensão da utopia estão bem presentes na letra da canção: “Quando será esse meu sonho? Sei que um dia será novo dia, brotando em meu coração. Quem viver saberá que é possível, quem lutar ganhará seu quinhão”.
 
Raul é uma das pessoas mais generosas da cena musical gaúcha. Tem uma interessante história de militância pela classe artística, haja visto a Cooperativa dos Músicos de Porto Alegre, a COOMPOR, da qual participou ativamente. Nossos laços ipaenses nos aproximaram por várias ocasiões, inclusive no próprio Instituto, em um evento do curso de Música, quando eu já havia me graduado. Emocionado, o mestre mandou ver o hino da instituição, com o carinho ipaense de sempre. Não raro estava pelo estúdio experimental da casa, conversando um dedo de prosa da boa com o pessoal.  E, concordando com Raul, "sei que um dia será novo dia"!!! Gracias, mestre!!

O jovem de cabelos brancos na esquerda, ao lado do querido músico, compositor, regente, etc, Marcelo Delacroix, é o NOSSO Raulzito, na última sala de aula do lado esquerdo, corredor do piso superior do prédio A do IPA!



3. Bibliografia Consultada

CRAVO ALBIN, R. Raul Ellwanger. Disponível em http://www.dicionariompb.com.br/raul-ellwanger/dados-artisticos, acesso em 11/04/2016.]

ELLWANGER, R. 2009. A milonga dos vencidos. In: E.S. PADRÓS; V.M. BARBOSA; V.A. LOPEZ; A.S.
FERNANDES (orgs.). Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul (1964-1985): História e Memória. Repressão e resistência nos Anos de Chumbo”. Porto Alegre, ALERGS/CORAG, vol. 2, p. 81-94.

OLIVEIRA, S. Raul Ellwanger: “Faço hoje a música que sonhava em 1968”. Disponível em URL http://www.sul21.com.br/jornal/raul-ellwanger-faco-hoje-a-musica-que-sonhava-em-1968/, acesso em 11/04/2016.

PADRÓS, E.S., NUNES, C.L.S., LOPEZ, V.A., FERNANDES, A.S. Memória, verdade e justiça [recurso eletrônico] : as marcas das ditaduras do Cone Sul. Porto Alegre: Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, 2011. 291 pp., ilustrada. Disponível em URL http://www2.al.rs.gov.br/escola/Publicações/tabid/2333/Default.aspx

RODEGHERO, C. S. Um pouco além do concebível: o Chile e a Argentina na memória de um exilado brasileiro. História Unisinos Vol. 16 Nº 1 - janeiro/abril de 2012.

"O Amor com Reza se Paga"

Um dos trabalhos dos quais mais me orgulho é a trilha sonora para a vídeo série "O Amor com Reza se Paga", da parceira Keyla Fogaça, que bolou o roteiro, a produção e fez a direção. Trata-se de um drama na melhor tradição rodrigueana, com ares de interior do Brasil, relata a história de uma mulher interiorana, que vive uma relação abusiva com o marido. O casal, Helena e Aurelino, mora no sítio da professora Bia, onde ela começa a alfabetizar adultos da região rural na qual passa a morar. E então é que Helena, esposa do caseiro Aurelino, começa a se interessar por estudar com a professora, e acaba rolando um romance entre as duas (pronto, dei spoiler).

Tem elementos bem legais na história, as camadas são muitas, do passado da professora, da relação do casal, enfim, e a trilha sonora ajuda a contar toda a trama. Tem canções minhas, e minhas em parceria com a Keyla, inclusive cantadas pela própria. Entre os temas, pessoalmente, eu destaco a versão do Kyrie Eleison, cantada pela Keyla no capítulo 7, ou seja, final, nas cenas finais, com este que vos escreve ao violão e flauta. Sim, tem uma citação de um riff do Edu Lobo, da canção "Reza", o "laia, ladaia, sabadana, Ave Maria" é citado, falo antes que alguém "descubra a roda" por aí... 

Gosto muito também do "Tema de Bia", tocado com flauta e violão, instrumental, ficou bem bacana. Aliás, o nome original do tema é "Redenção", lembrando o amanhecer no nosso Parque Farroupilha, mas que também remete ao papel redentor do processo da professora Bia no letramento da Helena... Vou parar de dar spoiler aqui, cliquem e curtam!!! 

à esquerda, manejando o celular, a diretora/roteirista/produtora/cantora e amiga Keyla Fogaça.
à esquerda, manejando o celular pra filmagem, a diretora/produtora/roteirista e cantora da trilha, Keyla Fogaça.

 

Ah, pra assistir:  https://www.youtube.com/channel/UCj-Nteq0xhUsBYgO-z8eKxw

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Sessão da Tarde

 Me criei vendo filmes de ação na famosa Sessão da Tarde, onde os vilões eram nazistas, que aprisionavam gente inocente nos campos de concentração, e tomavam uma coça de americanos, russos e da resistência francesa. Bom, os americanos sempre foram os donos do fazer cinematográfico, logo iriam colocar seus soldados como heróis... O que importa é que os nazis sempre foram vilões, ou eram expostos como criaturas patéticas, como no lendário "O Grande Ditador", de Chaplin, com aquele discurso final matador de tão lindo!

Corta para nossos dias. Pelo jeito, a turma do III Reich fez escola nas terras ao sul do Equador. Que o diga o plano satânico de instalar campos de prisioneiros no Brasil, se o golpe mambembe desses discípulos de Brancaleone desse certo. Felizmente, deu "serto". Os caras queriam, de fato, instalar aparelhados Campos de Prisioneiros de Guerra, com essas palavras mesmo, no Brasil, e baixar uma repressão de fazer Pinochet e sua turma se orgulharem lá no Inferno.

Daí a gente para e pensa. Os mentores desse plano de transformar o Brasil num IV Reich são incensados em igrejas, idolatrados por pastores, padres e leigos/as, tidos como a salvação contra o (ohhh) comunismo. Gente que vai em igreja, toma comunhão, santa ceia, colabora com os bazares pra pessoas humildes e tal, pagam dízimo ou as contribuições da sacolinha (como diria Tim Tones), apoiando quem queria fazer "um careca arrastado por blindado em Brasília", ao melhor estilo Stuart Jones...

É isso? É o que pregam esses cristãos e cristãs, arrastar seus desafetos com blindados, envenenar chefe de estado, criar novas versões de Auschwitz? Será que me enganei tanto nesse tempo todo de vida, em que tive referências positivas das igrejas? As pessoas das igrejas, que desejam "a paz do Senhor" na saída dos cultos, são as mesmas que chamam o articulador desse plano maligno, de orgulhar o Caveira Vermelha das histórias do Capitão América, de "mito". É o mesmo pessoal que acampava em frente a quartel, rezava pra pneu e chamava ET com o celular apontado pro céu. Como é que tanta maldade pode habitar esses corações? Será que o capo dessa organização toda simplesmente fez aflorar a maldade dessas pessoas, e que isso já era latente, só precisava duma forcinha?

Cabe pensar. Cabe resistir. Cabe existir.


https://www.brasil247.com/brasil/grupo-golpista-discutiu-instalacao-de-campo-de-prisioneiros-de-guerra-e-fez-referencia-a-auschwitz

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

eu voltei!!!

 Pessoal

 Após um período sabático provocado pelo esquecimento de uma senha, e, na total ignorância de como acessar o blogue para colocar novidades, estou de volta.

Nas últimas blogadas, estávamos iniciando um desgoverno de um ex militar, que se mostrou um adepto de golpes de estado, negacionista de vacinação, aliado de movimentos neopentecostais pra lá de ultraconservadores, totalmente antiecológico e cafona pra cacete. Houve a volta de LILS, repaginado, com o surpreendente Alkimin de vice, tentando ajeitar essa coisa toda chamada Brasil. Pelo menos voltamos a ter Ministério da Cultura, e rola aquela picanhazinha de vez em quando, emblemático corte de traseiro bovino que tanto se comentou nas campanhas eleitorais.

Nesse período, o Grêmio insistindo em ter uma estátua de treinador, e os vermelhinhos acertando a mão com nosso ex lateral esquerdo, ironicamente um atleta que jogava na posição que tradicionalmente marca os ponteiros direitos, em geral usuários da camisa 7, que nem a que Portaluppi usava... E o Fogão, hein? Ano passado deixou o título escapar, vamos ver se este ano vai pra Marechal Hermes a taça!

Porto Alegre reelegeu um goiano amiguinho daquela turma de milicianos que estava em Brasília, e que, em breve, estará na Papuda. Poucos dias após o desastre eleitoral, enxurradas de notícias de corrupção, incluindo elementos de seu governo, vieram à tona, além de desmandos ambientais. Minha tia-avó diria duas palavrinhas: BEM FEITO!

Bom, aqui estamos voltando. A novidade que veio dar à praia é nossas gravações no Spotify, parcerias com a Keyla Fogaça (@keylafogaca), que NÃO É parente do ex prefeito e autor de "Vento Negro", nem da intérprete de "Porto Alegre é demais", antes que me perguntem. Ela entrou no lugar da Cybele do Quarteto em Cy (Aquele Quarteto, lembram?), que, por sua vez, foi cantar com Tom Jobim e Elis Regina. Ouçam, gente!! Tá bem bacana!! Tem mais umas surpresinhas pra ir ao ar, tudo ao seu tempo...

Bom, espero não ter perdido a mão de escrever...o anelar direito pode ter sido traumatizado esses tempos, há cerca de um ano, mas ainda sai alguma coisa escrita! E o violão segue criando, de vez em quando umas travadas no processo criativo, mas quando flui, é com tudo!

A bênção!!





quinta-feira, 17 de março de 2022

I'm Back!!!!

"Pensou que eu não vinha mais, pensou

Cansou de esperar por mim
Acenda o refletor
Apure o tamborim
Aqui é o meu lugar
(Mandaram me chamar)
Eu vim" (Chico Buarque, De Volta ao Samba)

Oi!!

Pois eu estava em crise de abstinência de blogar. Uma falha qualquer do sistema me fez não ter acesso ao blogue, para poder alimentá-lo regularmente com tentativas de escrita, de palpites, de críticas aos desgovernos da vida, de sofrimento pelo Grêmio, enfim.

Nesse meio tempo, me formei no curso de Música, comecei a estudar Composição em cursos livres, ando com saudades da escrita... Me fiz aluno de Francis e Olívia Hime, parceiro de Jerônimo Jardim, parceiro da Keyla Fogaça (não, ela não é parente daquele outro, do Vento Negro, devo ter respondido umas trocentas vezes), conduzi cadeirantes por trilha no mato (não me pergunte como), resgatei bichos, emputeci com o Grêmio, com o preço da gasolina, com o preço da carne, com o preço do que vier na cabeça... Definitivamente, já não há mais lugar pra amador, diria mestre Aldir Blanc. Aliás, falar em Aldir, os últimos anos deixaram o país mais chato e mais burro, não somente pela ascensão dos bozolóides e damarianos, mas pela perda de Aldir, Paulo Gustavo, Flávio Migliaccio, Ivan Izquierdo, BJ Thomas, Paulo José, Tarcisão e mais um monte de gente que fará falta a nossa cultura, ciência, arte, etc.

Pra deixar o caldo mais grosso, uma guerra entre os sem noção e os sem moral. De um lado, Putin e suas oligarquias num país gigante que de comunista pouco restou. De outro, a Ucrânia, com
Volodymyr Olexandrovytch Zelensky de presidente, dos palcos para fazer papel canastrônico de presidente do seu país e embarcar numa guerra estúpida (perdão pelo pleonasmo). Nessa daí, não embarco na lógica GreNal, na coisa de "tadinhos dos ucranianos", ou "a mãe Rússia se defende", ou canastrice do gênero. Não tem puritano ileso em festa na zona, e ainda por cima tem a presença marcantemente tosca de brazucas nessa parada aí. Mercenários com alma de blogueirinho clicando instalações em tese secretas, para o mundo (e os russos) conhecerem os "segredos" ucranianos, doidos para descobrir o que é pior, ser alvo de russo ou de ucraniano endoidecido com bisonhadas... 
 
E, claro, ele, o Mamãe Falhei, fazendo de conta que faz molotovs e falando aquelas "pérolas" sobre as pobres refugiadas de guerra. Mamãe Errei feio ruma a passos largos para o anonimato e o ostracismo, graças a sua fala boquirrota. Já vai tarde! Ele e o MBL!!
 
Aliás, quem mandou matar Marielle?
 
Quem vai pagar pela devastação dos biomas brasileiros?
 
Quem vai punir quem invadiu áreas dos povos indígenas atrás de garimpo, madeira e ganância?
 
Bom, estamos de volta. E com vontade de escrever.


 
 



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

inadequado...

Pois pelo jeito os anos de chumbo insistem em se manifestar, qual condômino chato em assembleia de condomínio. Uma das últimas pérolas vem do norte do país, de Rondônia, estado governado por um amiguinho do poder que atende pelo nome de Coronel Marcos Rocha. Pois a Secretaria de Educação de Rondônia passou a circular, na quinta-feira passada, que atende pelo nome de 06/02/2020, um memorando. Nele, uma lista de livros de fazer inveja a Torquemada, os quais deveriam ser recolhidos das escolas por serem classificados como “conteúdos inadequados” a crianças e adolescentes.

Quem são os inadequados? A lista tem gente da mais fina cepa, como Machado de Assis, Caio Fernando Abreu, Carlos Heitor Cony, Euclides da Cunha, Ferreira Gullar, Nelson Rodrigues, Mário de Andrade e Rubem Fonseca. Gringo também? Sim, um tal de Kafka e outro chamado Edgard Allan Poe estão nesse nefando index, dos "inadequados".

Bom, no meu humilde modo de ver, inadequado a crianças e adolescentes é um governo que aplaude milicianos, pseudo-filósofos, terraplanistas e gente que ofende a dona Fernanda Montenegro e o Chico Buarque. Inadequado é aumentar os feminicídios, o desmatamento amazônico e de outros biomas brasileiros, é falar besteira diante das lentes da imprensa, torcer contra a chance mais clara de Oscar que esse país já teve nos últimos anos (tá, concorria com o casal Obama, mas vamos lá, acreditar...)... Inadequado é ministro servir de leão de chácara de miliciano, de milico maluco. Inadequado é bajular Trump mesmo quando ele trata o Brasil com desdém e arrogância, e se manter como vira-latas pidão.

Inadequada é essa distopia!


terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Vertiginoso...

Estava com saudades. Confesso que escrever num país em que o ministro de Meio Ambiente é aliado dos que detonam a Amazônia, onde o Ministro da Educação escreve com uma incorreção gramatical de fazer corar um jumento e que tem ministros terraplanistas teleguiados por um "filósofo" que nem tem ensino Fundamental, enfim, é ato de coragem, ou de falta de juízo, sei lá.

O que importa é que o Brasil está a dois passos do paraíso do tapete vermelho, o red carpet hollywoodiano, com as produções "Dois Papas" e "Democracia em Vertigem". E, nas palavras que peço emprestadas do grande Mario Jorge Lobo Zagalo, tem gente que vai ter que engolir. E haja maionese!

O documentário da diretora Petra Costa, "Democracia em vertigem" se ocupa de um dos maiores acontecimentos da história recente do Brasil: o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Aquela maldita noite de 2016, em que deram descarga na democracia, com direitos a pérolas como as do atual ocupante do Palácio do Planalto...

Na obra, Petra dá uma abordagem pessoal do fato histórico, narra em primeira pessoa, contadora de causo das boas! Uma prosa contada e bem contada. É a perspectiva de alguém que sempre se identificou com a esquerda, em especial com o PT, filha que é de históricos militantes das alas à gauche da política brasileira.

Petra narra a sequência de fatos organizados para além dos fragmentos dos jornais. Além de capturar o retrato do Brasil do impeachment, a cineasta mergulha em fatos políticos do passado para entender como o país chegou até seu momento atual. Essa análise começa nos anos 1970, com a transformação de um país que ainda lutava para desvencilhar-se de uma ditadura militar sangrenta (aliás cultuada pela turminha que está hoje no poder...) enquanto alçava à liderança política um certo metalúrgico sindicalista, Luís Inácio...

É um filme necessário pra quem quer entender todo o processo que ocorreu neste país nos últimos anos, com toda sua "direitização" e jogadas rasteiras. E, arrisco a dizer, vai ter dona Petra desfilando no red carpet!

Pra dar um confere, pega a pipoca e bota no Netflix!!!

cola, instituição coxinha

Uma coisa que me deixa com raiva é o hábito que muitos alunos têm de colar. Aí é aquela coisa quase desesperada, os caras e minas não confiam em seus cérebros, não acreditam em reservar uma meia horinha, quem sabe uma, de seu dia, para ler, ler coisa que preste. Preferem ficar engendrando bilhetes em letra minúscula, enfiados sabe Deus onde, para poder consultar na prova, achando que o/a docente é idiota ou coisa do tipo.
Pessoalmente, como ex professor e atual aluno, recorrer a tal artifício é atestado de canalha. É dizer pro professor, pra professora: "é, não estou nem aí de usar meu tempo para me dedicar a essa matéria chata, que nunca vou precisar pra nada, eu é que sei, sou o/a cara!" ... E a pessoa vá afirmar coisas que não sabe na prova, gerar uma nota fictícia e um rótulo sapiente falso.
Corta. Vemos o avanço do "pensamento" à la droite que polui os dias de hoje, com os olavos da vida se dizendo filósofos, os avatares antipetista se revelando pulhas de marca maior, como aquele ex presidente da Câmara e seus seguidores, para ficar por aí, esse pessoal que idolatra deputados homofóbicos, "atores" se fazendo autoridades em educação, âncoras de talk-show vociferando gracinhas fascistas e por aí vai.
Nisso, vejo o avanço do ato de colar e da cola. O telefone celular passa a ser um aliado de tais expedientes. Se você pede o telefone dos alunos na hora da prova, é taxado de repressor. Alunos/as "espertos" vão ao banheiro durante prova, com seu telefone, e tome consultas relâmpago ao oráculo Google...e como você prova isso?
Noto que a ideologia do "se dar bem" vem de braços e abraços com o pensamento direitista, com a lógica de progredir pisando no pescoço alheio. Ambas situações se irmanam com o mesmo princípio de buscar o sucesso sem importar o preço. E para tal, os métodos honestos não servem, pois seus resultados são demorados e de longo prazo. Lembro de uma aluna, ao indagar porque o desespero pela cola, ela dizia "não ter tempo". Tempo é questão de prioridades gerenciáveis. Você determina o que é importante. Várias vezes acordo pelo menos uma hora antes do habitual para estudar. É cansativo mas dá certo! É o único jeito de realmente aprender, sem que seja um ato falso, uma mentira.
Pense nisso: os que seguem essa mesma lógica de quem rouba numa prova colando...não diferencio um grupo de outro! E olha que estou afastado do lado de frente da sala de aula faz um tempinho...

Extração de DNA em sala de aula

Adaptado do texto de Valesca Veiga Cardoso Casali, Emerson A. Casali e Carlos Augusto B.M. Normann, publicado originalmente em NORMANN, CABM (ORG.) Práticas em biologia celular. 2. ed. Porto Alegre: Sulina; Porto Alegre: Editora Universitária Metodista IPA, 2017. 303 p. Uso para trabalhos escolares permitido, desde que citando a fonte e os autores e autora.

Introdução

Macromoléculas de grande relevância biológica, os ácidos nucleicos, são usados pelas células de todos os organismos vivos para fornecer as instruções sobre os processos celulares, além de estocarem e transmitirem essas informações. A informação genética é decifrada através de um código genético, cuja tradução resulta na síntese proteica.

Existem dois tipos de ácidos nucleicos, ácido desoxirribonucleico (DNA) e o ácido ribonucleico (RNA). Eles são polímeros lineares de monômeros de nucleotídeos unidos por ligações fosfodiéster. Existem quatro tipos diferentes de nucleotídeos tanto no DNA quanto no RNA. Os nucleotídeos são
compostos de um grupo fosfato, uma pentose (açúcar) e uma base nitrogenada (púrica e pirimidínica), todos esses unidos por ligações covalentes. A pentose do DNA é a desoxirribose, e a do RNA é uma ribose. As bases adenina, guanina e citosina estão tanto no DNA quanto no RNA, mas timina somente é encontrada no DNA, e a uracila no RNA.

Watson e Crick, em 1953, propuseram o modelo tridimensional do DNA baseado nos estudos de Franklin e Wilkins. Esse modelo demonstra que o DNA é uma dupla hélice e que duas fitas de DNA se enrolam em torno do eixo das hélices. O DNA das células eucariontes apresenta três frações caracterizadas pelo grau de repetição, apresentadas na sequência.

DNA singular ou de cópia única

Constitui a maior parte do DNA no genoma. As sequências que codificam proteínas (isto é, a porção codificadora dos genes) compreendem apenas uma pequena proporção do DNA de cópia única.

A maior parte do DNA de cópia única encontra-se em extensões curtas, entremeadas com diversas famílias de DNA repetitivo. Proporção do genoma: 75%.

DNA repetitivo disperso

Consiste em sequências relacionadas que se espalham por todo o genoma, em vez de ficarem localizadas. Os elementos repetidos dispersos mais exatamente estudados pertencem à família Alu e à família L1.

Família Alu

Tem essa denominação porque a maioria dos seus membros é clivada por uma endonuclease de restrição bacteriana denominada Alu I, instrumento importante da tecnologia do DNA recombinante. Os membros dessa família têm um comprimento de cerca de 300 pares de bases e são relacionados uns aos outros, mas não exibem uma sequência idêntica. No total existem cerca de 500.000 membros da família Alu no genoma, estimando-se que constituam 3% do DNA humano.

Família L1

Constitui sequências repetidas longas encontradas em cerca de 10.000 cópias por genoma. Assim, embora haja muito menos cópias nessa família do que na Alu, seus membros são bem mais longos, e a contribuição para a constituição do genoma é cerca de 3%.

DNA satélite
Envolve sequências repetidas (em tandem) agrupadas em um ou em alguns locais, intercaladas com sequências de cópia única ao longo do cromossomo. As famílias de DNA satélite variam quanto à localização no genoma, comprimento total da série em tandem e comprimento das unidades repetidas que constituem a série.

As técnicas e as manipulações ligadas aos ácidos nucleicos têm sido grandemente exploradas desde a década de 1970; hoje, essas técnicas têm fornecido à ciência, à medicina e à indústria grandes avanços.

Extrair e isolar ácidos nucleicos de tecidos em quantidade suficiente e integridade são essenciais na prática da biologia molecular. Neste blogue, descreveremos uma metodologia de fácil reprodução, através de uma técnica de baixo custo e facilmente multiplicável, em especial em escolas de Ensino Médio e Fundamental. É uma adaptação da metodologia de Diane Sweeney Labs Biology: Exploring Life© Pearson Education.

Objetivos
Permitir extrair ácidos nucleicos de células de pseudofrutos de morango, que podem ser facilmente utilizados em sala de aula porque são muito macios e fáceis de homogeneizar. Compreender a função dos passos da técnica, bem como dos reagentes envolvidos.

Materiais
Amostra de tecido vegetal (um ou dois morangos), estilete, placa de petri, bastão de vidro, banho-maria 60 °C, erlenmeyer, proveta, tubos de centrífuga ou ensaio, funil, papel-filtro, álcool gelado (96%), NaCl, detergente, água destilada.

Procedimentos

1. Preparação do tampão de extração: misture em um tubo de centrífuga ou ensaio 6 ml de detergente e 3 gramas de NaCl, complete para 50 ml com água destilada (com o uso de proveta se possível). Aqueça o tampão em banho-maria a 60oC.
2. Picar em uma placa de Petri um ou dois morangos (sem as sépalas) em pedaços pequenos.
3. Adicionar a amostra no tampão de extração aquecido.
4. Deixar em banho-maria a 60 ºC por 10 minutos.
5. Filtrar a mistura com papel-filtro, recuperando o filtrado em um erlenmeyer (ou em um frasco de vidro), que deve ser resfriado.
6. Adicionar álcool gelado (96%) ao filtrado, deixando o álcool escorrer pela parede do vidro LENTAMENTE. Formam-se duas fases, a superior, alcoólica e a inferior, aquosa.
7. Misture as fases e observe a formação de fios esbranquiçados, que são aglomerados de moléculas de ácidos nucleicos (DNA e RNA e polissacarídeos).

A extração de ácidos nucleicos de células eucariontes consta fundamentalmente de duas etapas:
Ruptura das células para liberação dos núcleos, que é feita pela ação do detergente sobre os lipídios da membrana.
Desmembramento dos cromossomos em seus componentes básicos, DNA e proteínas: feito a partir da saturação com o sal de cozinha, bem como pelos íons fosfato presentes no detergente. O morango é usado por apresentar células grandes, que se rompem quando são picados. O detergente desagrega os envelopes nucleares e as membranas das células, liberando o DNA. Um dos componentes do detergente, o dodecil (ou lauril) sulfato de sódio, desnatura as proteínas, separando-as do DNA cromossômico. O álcool gelado, em ambiente salino, faz com que as moléculas de DNA se aglutinem, fo
rmando uma massa filamentosa e esbranquiçada.

"eu bato o portão sem fazer alarde"...

  Oi gente!! Esta blogada tem um algo de despedida, algo de coração aberto, algo de desilusão, algo. Pensei, repensei, fui ao banheiro, to...